Diário de um favelado (trabalho infantil como solução para a fome)

 


09 de fevereiro

Esse ano já vou fazer doze anos (apenas em agosto é verdade) e, se eu pudesse, já arrumaria alguma coisa para fazer. Fico pensando: gostaria de ajudar minha mãe de alguma forma. Eu fico com meus irmãos, mas as vezes acho que poderia fazer mais. 

Na padaria do seu Manuel estava precisando de ajudante de padeiro. Eu até poderia fazer um bico  lá nas  folgas da minha mãe. Se ele aceitar contratar um menino de onze anos, mas já calejado e amadurecido nas pelejas da vida. 

Passo na padaria e aproveito para sondar:

- Bom dia Senhor Manuel ! Não está precisando de um ajudante de padeiro aí ?

- Estou, mas não posso contratar uma criança.

- Sou novo, mas tenho muita vontade de trabalhar. 

- Não quero problema com a fiscalização.

- Ninguém precisa saber. 

- Mas você não pode trabalhar. Tem é que estudar. 

Porém, depois de alguma insistência, acertei de trabalhar terças e quintas pela manhã, quando minha mãe estava de folga. Passaria a estudar no turno da tarde. Mas tinha que chegar na padaria cinco horas da manhã. Ganharia cinquenta reais por dia que fosse trabalhar. 

Minha mãe não gostou muito, pois isso poderia me atrapalhar na escola. Eu a convenci: 

- Sempre tirei boas notas. Basta me organizar e não vai afetar muito. São apenas dois dias.

- Eu arrumo outra faxina meu filho!

- Não precisa mãe!

E William foi para o sacrifício tendo que trabalhar aos onze de idade e para ganhar apenas cinquenta reais.

Nunca mais ia deixar as crianças sem pão para comer. Esse era o seu objetivo. Seu dinheirinho era para garantir o pão dos irmãos todos os dias.

Pelo menos esse problema estava resolvido.

Me sentindo feliz com mais esse desafio! 




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