Armadura psíquica e diminuição de danos.
Às vezes fico pensando nas características de pessoas que são reservadas ao extremo. Muitas são reclusas mesmo. É uma espécie de auto reclusão caracterizando, em alguns casos o transtorno antissocial de pessoalidade, mesmo que não tenham o devido laudo.
- Mas essas pessoas são psicopatas? Pessoas com TPAS não são psicopatas?
- Não é bem assim, pois muitas pessoas que escolhem a solidão como estilo de vida não tem nada a ver com psicopatia. Algumas até são boas pessoas, mas preferem estar só na maioria das vezes,mas, acredito, que em muitos casos, esse modo de ser pode estar relacionado com eventos de um passado mais ou menos remoto.
- Está falando de reencarnação?
- Sim, meu irmão! Mais uma vez estou me referindo à reencarnação. As causas desse comportamento estão associadas a comportamentos do passado. São questões ainda mal resolvidas que estão esperando resolução na atual existência.
- Explique melhor isso.
- Em outra oportunidade, escrevi sobre crianças com comportamento autista ou com profundo mutismo. Essa característica, embora seja suavizada, não deixa de estar presente no comportamento dos adultos. Sabe aquelas pessoas que tem Pouquíssimos amigos ou colegas mesmo? Estou falando dessa dificuldade de criar vínculos sociais sólidos.
- Deve ser triste isso, pois acredito que ninguém gosta de viver sempre na solidão.
- Ai pode estar a chave 🔑 para transcender essa tendência do ego de se isolar.
- Você acha que ficar muito sozinho é um comportamento egoico?
- Não tenho dúvidas disso. Quando ficar sozinho (a) vira evitação de convivência social é sem dúvidas um comportamento egoico. Mas a chave 🔑 a que me referi acima tem a ver com a educação afetiva. Essas pessoas, na maioria das vezes, tem problemas no campo afetivo.
- E como se dá esse processo?
- Não é simples, se baseando num caso que conheço de perto. A pessoa faz uma leitura (inconsciente a princípio) de que já causou muitos danos na convivência social e prefere evitar o ensejo de fazer mais besteira se isolando do mundo.
- Concordo que temos que evitar os gatilhos, mas nesse caso, esse seria o melhor comportamento?
- Não é mesmo, mas enquanto a pessoa não desenvolver um grau de autoconsciência e de educação afetiva ela não vai se arriscar de novo.
- Mas autoconsciência e educação afetiva tem relação?
- Creio que quando você começa a desenvolver a autoconsciência, você começa a entender também a importância da convivência afetiva. Daí vem a carência e a necessidade consciente da criação de vínculos sólidos.
- Mas para é recluso por opção esse me parece um processo complexo...
- Sim, principalmente porque o ego gosta da zona de conforto, mesmo à custa de sofrimento.
- E então? Como destravar esse processo?
- chega uma hora em que a pessoa não aguenta mais pagar o preço de estar sempre sozinha. O sofrimento, nosso grande mestre, vem em seu auxílio. E devemos considerar também o trabalho incansável da espiritualidade que nunca desiste nós e tem toda paciência do mundo esperando nosso despertar. Enquanto isso, fazem o que podem podem para transformar nossos equívocos em aprendizado.
- Como a espiritualidade aproveita nossos equívocos ?
- Eles fazem, para usar metáfora atual, uma espécie recalculo de rota no nosso GPS existencial. Assim nos ajudam na conscientização do aproveitamento dos erros como aprendizado.
- Mas isso só é percebido com um bom nível de autoconsciência...
- Quando começamos nosso processo de autoconsciência, já começamos a perceber as mudanças, mas é necessário uma reflexão constante sobre nossas escolhas.
- Escolhas?
- Sim. Temos que avaliar as razões que nos levam a viver, a agir dessa ou daquela forma. Ou seja as motivações das nossas escolhas. Aí, chega um momento em que percebemos que recuo causa um dano maior do que seguir em frente no nosso processo de renovação.
- Por que?
- Porque errar com consciência gera uma enorme frustração e a gente não quer mais pagar esse ônus. Então, seguir em frente passa ser um imperativo da vida. Ou seja, entendemos que temos seguir em frente de qualquer maneira. É quando tudo o que estamos lendo (muitas pessoas solitárias leem muito) começa a fazer sentido, quando os conhecimentos são do intelectual, egoico e arrogante, passando para o racional, que analisa tudo sob uma perspectiva mais ampla e daí começa a se fortalecer uma necessidade de elos profundos, de relações onde os interesses egoicos não são a única motivação. Isso se chama educação afetiva. A pessoa começa desabrochar, mas esse é um longo processo.
- Sair do auto confinamento deve ser gratificante.
- você me lembrou que a gratidão faz parte de todo esse processo, sendo ela que ajuda a desenvolver nossa inteligência emocional, nossa educação afetiva.
- Nossa! Isso é muito emocionante!
- Considero que é um renascimento dentro da mesma reencarnação. É assim que o companheiro muito próximo de mim que citei acima está se sentindo.
- Que Maravilha!!
- Vou parar por aqui. Isso pode dar um livro no futuro.
- Valeu, meu querido! Fique com Deus!
- Valeu irmão! Tamo junto sempre!
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