Amor ou ódio é uma questão de escolha.
" O ódio sempre mata, o amor nunca morre, tal é a enorme diferença entre ambos. o que se obtém através do AMOR se conserva para todo e sempre. O que é obtido pelo ódio acaba por se tornar um peso, pois apenas aumenta o ódio". Gandhi
Vivemos momento grave da história humana e não apenas em nosso Brasil, mas trata-se de um fenômeno que se repete em várias partes do planeta Terra. Não é um fenômeno inédito, pois já vivemos esse contexto antes da primeira grande guerra e, mais adequadamente, durante o período entre as duas guerras. É uma "mancha escura" em nossos corações que ainda carece, em muitos casos, de ser devidamente conscientizdada e processada para que possamos viver dias melhores. Mas isso, de alguma forma, já pode estar acontecendo, embora não pareça.
O período pré segunda guerra mundial representou o auge do retrocesso espiritual do ser humano, onde muitas mentes, mas principalmente muitos corações, foram capturados por ideias estapafúrdias de mentes desequibradas, de psicopatas que chegaram à liderança de seus países e tendo o apoio da maioria da população. Essas ideias geraram um ódio coletivo onde certos grupos sociais eram escolhidos como culpados pelo recalque coletivo de então. A manipulação coletiva era constante e alguns desses "homens de comando" eram hábeis oradores e também na arte da manipulação. E não estou falando apenas de Adolf Hitler que virou quase um arquétipo de psicopatia, mas de tantos outros como Mussolini, Stalin e muitos que não ficaram tão conhecidos na história por não se tornarem líderes de suas nações.
- Ainda bem que esse período de barbárie já passou né, meu irmão.
- Será que passou mesmo? É justamente disso que estou falando. Os sentimentos negativos, tais como ressentimento, mágoa e, principalmente, o ódio continuam vivos em milhões de pessoas ( os mesmos espíritos dos contextos históricos citados acima) e estão mais vivos agora.
- Como assim? Você acha que tudo aquilo ainda está presente em nossas sociedades e acredita na possibilidade de uma nova guerra?
- Em uma terceira guerra eu não creio, pois seria o autocidio daqueles que a perpetrarem. Os sentimentos, porém, estão muito vivos e presentes, pois as mesmas almas reencarnaram distantes daqueles cenários para terem o ensejo de recomeçar e renovar suas ideias e sentimentos. Porém, muitas vezes isso não acontece naturalmente.
- Como assim?
- Para você lidar com seus aspectos sombrios mais profundos, muitas vezes, é preciso um gatilho que ajude a trazer à tona tudo o que está escondido nos porões do inconsciente. Então, aparecem "certos líderes" que exaltam o bizarro, o pior do ser humano e você se conecta automaticamente por esses aspectos e sentimentos sombrios.
- Mas isso é triste e lamentável!
- Inicialmente sim, mas pode nos ajudar a trabalhar esses aspectos quando começamos a nos conscientizar do quanto mal eles estão nos causando. Mas esta é uma questão profundamente complexa, pois as pessoas que, em sua maioria, ainda vivem no inconsciente, no piloto automático e projetam para fora o que não aceitam de dentro de si mesmas.
- Me explica melhor...
- Estou falando do que Freud e Jung chamavam de projeção e existem vários tipos delas, mas, simplificando, as pessoas ainda não reconhecem que as mazelas que elas atribuem às outras pessoas, estão nelas mesmas e quanto maior o ódio que você tem dos personagens que lhe causam profundo desconforto, maior o nível de projeção.
- Engraçado que isso parece identificação, ou seja, o outro tem tudo a ver comigo, mas a não aceitação disso gera rejeição e ódio. É isso mesmo?
- É isso, meu querido! Você está entendendo bem o que eu quero expressar. Mas precisamos dar alguns exemplos para ficar mais claro né.
- É verdade. Eu estava pensando exatamente isso.
- Um exemplo muito comum é o ódio que muita gente tem da comunidade LGBTQIA+. As pessoas odeiam não o gay externo, mas aquele que está dentro dela e ela não admite de jeito nenhum. Esse é apenas um dentre muitos exemplos. Carl Gustav Jung trabalhou muito bem isso e Freud também.
- Uma vez você me falou de um caso de uma religiosa e eu fiquei chocado, pois minha mãe era muito carola.
- O problema não é ser carola, mas ter ódio de algumas pessoas que podem representar o oposto disso.
- Nós tínhamos uma vizinha muito gente boa que eu adorava. Uma mulher muito afetiva, simpática de verdade, mas minha mãe a odiava com todas as forças, pois havia um boato de que ela fazia "programas" para sobreviver. Minha mãe a chamava de puta espumando de raiva. sempre achei isso muito estranho, mas agora começa a fazer sentido.
- Me desculpe a colocação, meu amigo, mas a prostituta que a sua mãe odiava estava no inconsciente dela, na sombra, como dizia Jung.
- Mas agora a manipulação é política né....
- Sim e as pessoas se conectam com aqueles políticos e celebridades mais imaturos, os que projetam suas mazelas em outras pessoas. São tudo mau-caráteres, os chamados canalhas mesmo, mas essa conexão gera uma cegueira psíquica nas pessoas que os veneram. Não é o racional que comanda, mas o emocional.
- Eu diria que o emocional desequilibrado, doentio mesmo.
- É exatamente isso.
- Mas será que isso não tem fim ?
- Como dito acima, somente a autoconsciência, a exploração da nossa essência, sem máscaras, pode mudar esse quadro. isso pode demorar anos e até décadas de sofrimento.
- Mas isso é escolha ?
- Com toda certeza. Dependerá do livre-arbitrio de cada um.
- Nossa, irmão! Isso é muito interessante.
- Demais. Gosto muito do assunto.
-Vou nessa mano. Tamo junto!
- Tamo junto sempre!

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